segunda-feira, janeiro 14, 2008

Partida


Partida

Curiosa essa palavra, “partida”!
Embora não saiba de onde veio,
Creio que quer dizer exatamente
O que escutamos à primeira vista:
“Uma parte está de ida”

Digo “parte” pois, agora, Já não sou mais “um inteiro”.
Uma vez que nos somamos na encruzilhada da vida,
Uma parte de mim vai
Mas outra parte de mim fica!

Tudo foi fruto de outra palavra, a “decisão”!
Essa eu sei bem de onde veio
Pois, assim que chegou, partiu minha alma ao meio
Deixando em meus olhos o reflexo da solidão!

Mas, não!
Não soframos como se esta história ficasse para trás,
Como quem pensa que quem vai não volta mais!
Tudo pelo que passamos foi bom, é bom e será bom,
Pois, o que me deu, levo comigo e, perder, não vou!
Nunca! Jamais!

Se o bilhete dessa passagem é só de ida
Peço ao Criador que nos reúna na outra vida!
Lá estaremos livres de todos estes sofrimentos mortais
Pois, de lá não partiremos nunca, nunca mais!

David de Oliveira Lima

A arte usada tem o título "Fading away" e é de autoria de Gilad Benari.

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domingo, outubro 21, 2007

"It ain't over till it's over!"

“O que eu vou falar pros meus alunos amanhã?”, foi uma das primeiras coisas que me veio à mente depois da derrota do piloto inglês Lewis Hamilton, na fórmula 1! Eu tinha lido, no começo do ano, uma reportagem que contava a história do menino pobre, que lutou duro desde pequeno, aproveitou as oportunidades e, já no começo do ano, dava sinais de ser o mais novo fenômeno do automobilismo. Talvez o maior que as pistas já tinham visto. Para quem pensava que Schumacher tinha feito tudo que se podia ver na história da F1, o surgimento desse garoto podia surpreender... e muito!

Esse mesmo texto, eu li para meus alunos e com toda a empolgação de um orador com ares ultra-românicos, lhes falei que também podiam chegar lá, que, assim como ele, com luta e determinação desde já, a imaginação não seria o limite para o que eles podiam conquistar, e outras dessas falas de reis montados em seus cavalos quando estão a minutos do grande e vitorioso confronto final que a gente vê nos filmes épicos e livros de cavalaria! Eu queria arranjar uma justificativa para não sair mal com eles e me consolar ao mesmo tempo, mas tudo me parecia desculpa esfarrapada de um mau perdedor. Decidi então ir tomar banho. Enquanto procurava pela toalha, fui à cozinha três vezes, ao meu quarto duas, à varanda também três, para só então me dar conta que ela estava no banheiro! Eu estava desnorteado!

Não vou negar que naquela hora meu sentimento era igual ao do capitão Nascimento em relação ao “aspira” Matias, no filme “Tropa de Elite”, quando o rapaz quase põe sua vida em risco e a operação do batalhão, por ser afoito demais. Se eu fosse Ron Denis (diretor da Maclaren) eu copiaria a cena do capitão quando disse: “Volta pra lá e tira esse uniforme! Você não serve pra ele!”, daria um tapa na cara de Lewis e completaria: “Você é moleque!”

Sim! Eu tava uma pilha!

A água estava quente e o banheiro mais ainda! “É.. o verão está chegando.”, pensei. “Mas... o que é essa dor no peito? Essa dificuldade para respirar que está aumentado???” Se eu já não tivesse passado por uns maus bocados com síndrome do pânico no passado, pensaria que estava tendo um infarto, mas como a experiência já me ensinou a pensar mais calmamente na hora do sufoco, percebi que não passava de angústia. Decepção irrestrita e profunda!

Comecei a respirar e a pensar mais calmamente, sabia que aquilo ia passar. Mas, ao analisar friamente o caso, algo tão forte assim por algo tão pequeno me mostrava que eu não estava lidando bem com minha frustração e que essa podia ser uma chance de ouro para eu aprender e também para meus alunos.

O que eu aprendi? Na verdade nada, mas foi uma oportunidade de relembrar lições atemporais que, mesmo sendo antigas, valem tanto para hoje como valeram para nossos ancestrais.

Uma delas foi que a experiência, e não o talento, é a MÃE do bom sucesso. Até por que “talento” é um substantivo masculino e só se encaixaria como PAI nessa história. Mas, brincadeiras à parte, o que levou Hamilton a ganhar o prestígio até aqui (e a minha admiração, assim como a de muitos) foi, sem dúvida, seu talento. Mas o que o levou a perder o campenato que estava certo até duas corridas atrás foi, sem dúvida a falta de experiência. Se essas duas coisas não se casarem, não andarem juntas, não há vitórias. Vários degraus da escada do sucesso têm a tábua dura da derrota como base. Que o diga o azarão e atual campeão Kimi Raikkonen, que foi três vezes vice-campeão. Três vezes!!! É claro que os milhões que ele ganha contam, e muito, no fim das contas. Porém, se ele não soubesse lidar com suas frustrações, talvez já teria desistido do campeonato. “Imagine! Ganhar? Eu? Com a sina de três vezes vice? O máximo que pode acontecer é ser quadri-vice”. Essa conversa parece forçada pra você, não é? Você deve estar pensado: “Que ridículo! O cara nunca ia pensar assim! Isso é conversa para boi durmir”

É? Então por que VOCÊ pensa assim? (estou olhado no espelho quando falo isso, ok?) Por que desiste ao menor sinal de fracasso, antes mesmo que qualquer coisa tenha sido decidida? Acorda boi! Esse é um hábito que nós carregamos por não saber perder, por não sabermos lidar com frustrações e por não aceitarmos que tudo isso é parte inevitável e indispensável do progresso. E convenhamos: nada está acabado até que acabe!

Hum...? Ah sim! É a tradução do que está escrito lá em cima no título. Embora Hamilton tenha sido o melhor e mais equilibrado até próximo do final, o final ainda não tinha chegado, e isso fez toda a diferença. Aliás, não tinha chegado e não chegou! Que isso gente! Pra que tanto pessimismo com o garoto se ele ainda é só um garoto?! Esse é só o começo! Ele não perdeu a carreira! Foi só o primeiro campeonado de alguém que, com 22 anos de idade, ainda pode fazer muita história (como já fez). Ainda vamos ouvir falar e falaremos muito dele. E quem sabe...

Até de você e de mim?

Anda! Pega na minha mãe e levanta daí!

Precisamos começar a andar agora se queremos chegar ao final. A estrada é longa, amanhã eu tenho aula e eu preciso estar lá para dizer algumas coisinhas pros meus alunos!

Texto: David de Oliveira Lima

Imagem: AFM

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domingo, agosto 26, 2007

aBLUEScedário


Foi numa noite de quinta
Que tudo aconteceu.
Ela estava sozinha
Quando, as escadas, desceu.

Com vinte e três letras
De um alfabeto,
Fiz frases de efeito
Só pra conseguir seu afeto.

Fiz a proposta então:
“Dou-lhe o meu coração!”
Foi que ela me respondeu:
“Não digo que sim... nem que não!”

Com vinte e três letras
De um alfabeto,
Fiz frases de efeito
E consegui seu afeto!

Mas o tempo passou,
A distancia nos separou
E o coração que eu lhe dei,
Por telefone, voltou!

Com vinte e três letras
De um alfabeto,
Fez frases de efeito
Só pra me dizer:

“Final certo!”



Ps- Esta poesia é uma adaptação de um Blues que criei "baseado em fatos reais"! rsrsrsrsrsrsrs

Autor: David de Oliveira Lima

Foto: "Colin Melord", do fotógrafo (e pai do "modelo") Michael Melford

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quinta-feira, agosto 16, 2007

Pobre cachorro!


Hoje pela manhã estava muito frio! Enquanto descia para a escola, uma mão ia no bolso e a outra inevitavelmente segurava a pasta onde carrego as cadernetas de minhas salas. Quase congelados, meus dedos não desprenderiam dela pra nada... mesmo que eu quisesse! Foi quando percebi que um cachorro me acompanhava. Ele estava com uma sacola presa ao pescoço. Talvez tenha entrado nesta situação a fuçar algum saco de lixo. A cena era engraçada. Com as patas da frente ele tentava tirá-la, mas, consequentemente, com isso, puxava a cabeça para baixo fazendo um movimento igual ao de uma gangorra. Eu ri, achei divertido, mas ignorei. Porém, como meu cérebro ultimamente não para de pensar, nem mesmo quando quero, atinei que aquilo poderia estar fazendo-o sofrer. Parei minha caminhada e me voltei para o animal. Confesso que estava receoso ao fazê-lo. “Será que ele vai ficar parado? Será que vai me morder?” eram questões inevitáveis. Mas fui em frente e, tirando do bolso a minha mão acovardada pelo frio, levei-a até a cabeça dele. Para minha surpresa, o cachorro calmamente se sentou e paciente esperou eu remover a sacola. Ao tirá-la, ele já estava correndo de novo, seguindo o rumo de casa.

Isso me fez pensar no fato de que, muitas vezes, nas nossas idas e vindas diárias, vemos pessoas presas como aquele cachorro. Gente que, em busca de algo que alimentasse seu vazio, fuçou o lixo e ficou presa a ele. A gente vê, acha engraçado seu comportamento anormal, mas ignora. Quando não ignora, sente dó, mas fica sem coragem de intervir, de ajudar. No medo de sermos atacados, ou não sermos entendidos, deixamos de lado o problema. Problema que vai continuar lá, até o momento em que tenhamos coragem de parar de racionalizar nossas desculpas e aceitar que não é sem propósito que tais pessoas parecem insistentemente seguir nossos passos.

Estenda a mão. Arrisque-se. Ajudar pode ser mais simples do que pensamos. Talvez precisemos apenas tirar nossas vidas de suas zonas de conforto; o que já será um grande passo! E quer saber? Mesmo que, após a ajuda, lhe virarem as costas “abanando o rabinho” sem, porém, lhe agradecer, vale a pena! Pois o que está em jogo, no fundo, não é apenas melhorar uma vida, mas ser uma vida melhor a cada atitude!


Autor: David de Oliveira Lima


O título da arte usada é A "Dog's Life" de
Dave de Haan

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segunda-feira, julho 16, 2007

O Grande Truque


“Are you watching closely? Now you’re looking for the secret…but you won’t find it because, of course, you’re not really looking. You don’t really want to work it out. You want to be fooled!”


Recentemente, após uma semana de muito cansaço com a faculdade e o trabalho, quis me divertir um pouco.

Pensei comigo mesmo: “Vou até a locadora pegar algo que me distraia.”. Como minha cidade é pequena, a locadora respeita essas proporções e, assim como a cidade, não oferece variedade de opções para escolha. Todavia, em meio a vários filmes velhos e alguns “lançamentos” do ano passado, lá estava um filme enigmático: “O Grande Truque”. A mais nova produção de Christopher Nolan, diretor do excelente “Amnésia” e “Batman Begins”. Pela genialidade do primeiro filme, resolvi dar um voto de confiança para este. Confesso que, após assistir “O Ilusionista” (que saiu na mesma época e com temática semelhante) tive medo de encontrar mais do mesmo.

Ledo engano!

O filme, baseado na obra de Christopher Priest, “The Prestige", trata da jornada de dois jovens aprendizes de mágico que anseiam por descobrir um grande truque. Ambos querem se superar na arte da ilusão e acabam, nesta busca, por adentrar nos porões mais obscuros da alma humana, repleta de orgulho, vaidade e vingança.

É interessante também que o diretor/roteirista adapta a narração de forma tão brilhante que a própria estrutura do filme se torna um truque a ser desvendado. Assim como os mágicos, Nolan nos ilude para que pensemos, no final, que descobrimos o segredo do filme. Porém, a menos que tenhamos prestado atenção, “olhando atentamente”, o segredo continuará lá, escondido atrás do palco.

Tudo isso já seria suficiente para fazer do filme uma peça cinematográfica especial entre as muitas produções comercias que jorram de Hollywood, mas o que mais me cativou foram as palavras no início do filme. Com uma narração em off, Michael Cane diz as palavras mais significativas de todo o roteiro: “ Você está olhando atentamente? Você está procurando pelo segredo... mas você não vai achá-lo. Por que, é claro, você não está realmente olhando. Você na verdade não quer saber. Você quer ser enganado!”

Isto soa estranho à princípio, mas é perfeitamente coerente quando analisado à luz da mágica, servindo de metáfora a muitas situações em que vivemos, inclusive dentro da igreja.

O centro da afirmação é que, embora o público esteja prestando atenção no truque, ele nunca vai descobri-lo, pois seu desejo não é saber o segredo, mas ser iludido. O que queremos é o espetáculo, o fantástico, o impensável algo que nos deixe de olhos arregalados e queixos caídos. Nós pagamos por isso!

A verdade é simples e conhecê-la nos desmotiva a ver o truque novamente. Mas com a ilusão, a sensação de encantamento estará lá sempre que assistirmos o truque outra vez. Nós vamos rir, chorar e, ao final, aplaudir de pé por termos sido prazerosamente enganados. O segredo, na realidade só interessa aos aprendizes de truques, mas não a nós, o público.

Posto isso, fico a pensar: até que ponto não temos feito o mesmo em nossas igrejas? Até que ponto não temos nos portado como audiência evangélica em vez de evangélicos? Platéia cristã em vez de cristãos?

Há uma semana estive em um acampamento de jovens e pude perceber que, muitas vezes, nos assemelhamos à platéia dos grandes mágicos.

Um preletor com argumentos “inéditos” nos encantou com suas palavras. Nos fez rir e chorar, sem que notássemos que estávamos sendo sutilmente conduzidos.

Meu objetivo aqui não será o de expor a pessoa, mas expor as idéias por trás das idéias que nos foram apresentadas nas palestras em questão. Quero apenas revelar os “truques”, pois, ao contrário de um show de mágica, tal espetáculo pode repercutir seriamente em áreas-chave de nossas vidas, como cristãos, se ainda não as repensamos cuidadosamente.

O Primeiro truque que pude perceber foi:

1- O Mascaramento da ideologia.

Um mágico nunca revela seus segredos, especialmente quando ele é parte do segredo. Embora tenha se apresentado como calvinista reformado, o preletor trouxe uma linha de raciocínio neo-ortodoxa, que, embora tenha nascido para combater o pensamento liberal, acabou se tornado uma mescla, no nível “melhor de cada”, do pensamento cristão conservador e da teologia liberal. Porém o conteúdo liberal não é apresentado de forma aberta nem concreta, mas sutil e diluída, atrávés de um abuso da abordagem dialética de pensamento, onde tudo é questionável (Para se ter uma idéia, fora uma citação circunstancial de John Sttot [que também abordaremos mais a seguir], o único teólogo mencionado por ele foi Rudolph Bultman, notavelmente neo-ortodoxo e que cria, entre outras coisas, que os milagres e eventos sobrenaturais do novo testamento deviam ser vistos como mitos que precisavam ser reinterpretados à luz do pensamento existencialista. Para ele a ressurreição de Jesus não era um fato histórico, mas um acontecimento mítico que possuía uma verdade simbólica). No fundo, no fundo, a neo-ortodoxia não passa de uma ponte cinzenta pela qual transitam muitos dos que deixam a teologia ortodoxa rumo ao liberalismo. Nada é muito claro ou profundamente bíblico no seu discurso, cujo objetivo central hoje é remover, através de um suposto questionamento “científico-histórico-crítico”, “tradições” ou “interpretações equivocadas”, dogmatizadas pela teologia ortodoxa. Elementos básicos da teologia cristã como “o que é pecado”, “como e para que orar” são questionados em suas concepções tradicionais para que se estabeleçam novas formas, numa concepção mais relativista e circunstancial.

O problema é que muitas coisas tomadas por ele com tradição humana, são realmente verdades bíblicas, mas que, pela ignorância do público sobre os assuntos, acabam sendo passíveis de questionamento. O que nos leva aos segundo truque que é:

2- O vislumbre parcial de questões relevantes

Para que não descubramos a mágica, o ilusionista tem que mostrar a carta, a pomba, ou a caixa d’água apenas de relance. Afinal, se olharmos para o truque por todos os ângulos, com atenção, descobriremos o segredo. A chave para um truque bem feito é nos fazer ter apenas uma visão rápida e parcial do que está em jogo.

Cito como exemplo a seguinte afirmação não aprofundada do preletor: “Não dar o dízimo não é pecado, mas atrapalha.” Como muitos de nós desconhecemos os textos no V.T. E N.T. sobre o assunto, damos crédito ao palestrante. Porém, a Palavra diz em Malaquias 3.8 que Deus repreende o povo por Lhe estar roubando no que tocava aos dízimos, e não só dízimos, mas ofertas também. Alguns podem dizer que esta é uma situação particular na história do povo de Israel. Porém, se o fosse, Jesus não teria colocado a entrega dos dízimos como um dever. Ao abordar os escribas e fariseus, em Mt 23.23, por serem fiéis nos mínimos detalhes da contribuição, mas negligenciarem os fundamentos mais importantes da lei (a justiça a misericórdia e a fé) Jesus afirma: “Devíeis, porém, fazer estas coisas, sem omitir aquelas”. Ele não fala: “Devíeis fazer estas coisas EM LUGAR DAQUELAS”, mas “SEM OMITIR AQUELAS”. Isto é, DEVIAM FAZER TANTO UMA COMO A OUTRA. Os dízimos e as ofertas são uma obrigação na vida do cristão, como eram para o povo de Israel. Se formos analisar a fundo talvez estejamos devendo mais do que podemos imaginar. Um dos argumentos também usado para justificar este pensamento é o de que o dízimo não é um preceito moral. Mas batismo e santa ceia também não são e ninguém questiona a validade de ambos, como ordenanças a serem cumpridas.

Outro caso é o de usar Judas como justificativa para dar santa ceia para todos, indistintamente. Ele não era traidor? Não tomou ceia? Então por que não dá-la a quem não é membro? Não podemos esquecer que, embora fosse traidor, Judas abandonou tudo para estar com Jesus. Esteve com ele, sob sol e chuva, dia e noite, por 3 longos anos. Podemos dizer que além de professo, era também estudante de teologia. Pelo seu preparo podia ser um dos futuros pastores da igreja primitiva. Isso nos leva a outra conclusão: a de que mesmo tendo feito compromisso com Jesus, podemos não ser nem um pouco fiéis a ele.

E não é apenas no campo bíblico, mas o preletor também usa o truque no campo dos conhecimentos históricos e de ordem filosófica. Ao ser questionado sobre sua postura quanto à aceitação de homossexuais como membros e oficiais da igreja, o palestrante afirmou não ser a favor, mas prosseguiu sua resposta com outra pergunta: “John Sttot é referência para nós como teólogo?” ao que ele mesmo respondeu: “Pois a sua igreja ordena homossexuais!”. Tal raciocínio é equivocado por se basear apenas numa pré-concepção silogística de fatos. O silogismo associa duas verdades independentes entre si para nos induzir a uma terceira, como se esta fosse fruto obrigatório das duas primeiras.

Ex:

Afirmação 1 -João é assassino.

Afirmação 2- Carlos é irmão de João.

Afirmação 3- Carlos é assassino.

Embora parte da igreja anglicana aprove o homossexualismo, isto não implica que John Sttot o faça. Em diversas obras ele se posiciona abertamente contra a prática, à luz da Bíblia. No site da revista ultimato consta: “...John Stott, declara enfaticamente em seu livro Grandes Questões: ‘Desde que a ordem (monogamia heterossexual) foi estabelecida pela criação, não pela cultura, sua validade é permanente e universal. Não pode haver ‘liberação’ das normas criadas por Deus; a verdadeira liberação é encontrada em sua aceitação’ (p. 183).” E ainda: “Basta ler o capítulo ‘Os valores morais’, do recém-lançado Firmados na Fé, de John Stott, um dos mais respeitados e conhecidos líderes do mundo (Encontro Publicações,): ‘A união homossexual deveria ser considerada pelos cristãos (assim como por todo mundo) não uma alternativa legítima para o casamento heterossexual, como defende a comunidade gay, mas como algo incompatível com a ordem natural criada por Deus. A única experiência ‘de uma só carne’ que Deus autorizou é dentro da monogamia heterossexual (p. 159)’. Sem falar que na obra Same-Sex Partnerships? A Christian Perspective (Michigan: Fleming H. Revell, 1998), Sttot trata unicamente sobre este assunto e reafirma sua postura bíblica. Por fim, ressalto que não é oficial a posição de ordenação e aceitação de homossexuais dentro da igreja Anglicana. Na verdade ela pode sofrer um racha exatamente por que a igreja ocidental (especialmente da América, notadamente liberal), não quer rever sua postura quanto ao assunto, prometendo um possível cisma para o futuro.

Resta nos então saber: por que o preletor quis nos fazer aceitar algo que não é fato, uma vez que ele afirma ser contra a inclusão de homossexuais como membros professos e ministros ordenados? Ao construir seus argumentos com o fim de apresentar a situação como algo já aceito, inclusive por um dos principias teólogos do século XX, que conclusão ele gostaria que tirássemos?

Um terceiro truque é:

3- Usar um erro praticado para justificar um erro não praticado.

Uma das afirmações do palestrante que se referia ao que era, ou não era, pecado, dizia: “Fumar não é pecado, mas atrapalha”. Sabendo que alguém poderia questioná-lo, ele se antecipou e citou o texto de 1Co 3.16, que nos lembra que nosso corpo é templo do Espírito. Mas ele afirmou que ninguém condena um presbítero que toma coca-cola e se empanturra de lanches gordurosos, aumentando seu colesterol e os riscos para sua saúde. Ora, não é por que as pessoas costumam fazer uma coisa errada que o uso a torne certa. Nem muito menos pode ela justificar outra coisa notadamente errada. É a velha história: um erro não justifica o outro. O que precisamos é ser levados a questionar: “Será que só por que todo mundo faz, isso está certo?” Deveríamos, sim, repensar o erro comum e pedirmos a Deus que nos perdoe naquilo que não vemos como pecado, mas que o é; que nos absolva das faltas que nos são ocultas, Sl 19.12.

Um último truque perceptível que irei ressaltar aqui foi:

4- A Preterição da abordagem bíblica pela abordagem filosófica:

Para que o espetáculo sempre tenha audiência, o mágico precisa de truques novos, que envolvam conhecimentos científicos respeitáveis para dar mais crédito à sua apresentação. No caso da preleção, que se dá no campo ideológico, a ciência que dá um ar de propriedade ao conteúdo é a filosofia. A afirmação seguinte, que é um postulado filosófico básico, demonstra a opção do preletor: “Prefiro uma boa pergunta a uma boa resposta.”.

É claro que as perguntas nos levam a buscar respostas e são meios de nos instigar a buscar o crescimento. Eu mesmo sempre as uso quando quero questionar o senso comum criado na mente de meus alunos, mas sempre o faço através de um ato dialógico e, especialmente, com o intuito de trazer respostas. Em sua primeira carta, Pedro nos diz: “antes santificai em vossos corações a Cristo como Senhor; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós...”. O mundo é o que tem apenas as perguntas, não nós! Acho válido lembrar aqui a ilustração de nosso irmão Fabrício Cunha, que deixou isso bem claro, ao citar a música “O segundo sol” de Cássia Eller. Nela a cantora concluí a música dizendo:

“...Eu só queria te contar
Que eu fui lá fora
e vi dois sois num dia
E a vida que ardia sem explicação
Explicação
Não tem explicação
Explicação,
Não tem explicação
Explicação
Não tem, não tem explicação”

Conforme ele ressaltou, o eu - lírico da música olhou para fora e viu algo diferente, algo além do normal, um sol a mais, um outro astro, e que ele fazia a vida arder, porém ele não tinha explicação para isso. Creio que esse é um dos casos em que o eu-lírico é uma projeção do compositor, pois Cássia Eller era assim e infelizmente morreu por não ter e sem ter a explicação. E não é diferente com o mundo. Mas se nós, que temos as respostas, ficarmos apenas com as perguntas, que diferença faremos? Qual será nossa utilidade neste sociedade vazia, confusa, que não sabe quais rumos tomar? Ou será que também estamos vazios, confusos a espera de respostas, com vergonha de admitir nossas fraquezas?

Conclusão: Devo admitir que não foram só problemas que achei nas preleções. Abordagens como a da primeira palestra, em Rm 13. 11-14 foram simplesmente magníficas. Pena que foram muito poucas e usadas como pretexto para a discussão de questões nada pertinentes para o momento e para o público. O texto foi mais um pretexto para criticarmos nosso contexto eclesial, em vez de lutarmos por ele. O fato é que ao final de tudo ficamos assim, perplexos por um lado, e confusos por outro. Fomos para saber como era “sair da trincheira” e acabamos sem saber para que lado atirar. Talvez devamos sair da trincheira para atirar nela, tão “injusta”, “errada”, “falha”, ignorando que nós também o somos e que devemos muito das vantagens que temos por sermos criados nela e não em outra. Ou talvez devêssemos lutar contra o pecado. Mas pra que, se ele só atrapalha? Na verdade ele nem é mais pecado! Afinal... o que é pecado mesmo?

Graças a Deus, que nesta platéia Ele nos dá a chance de sermos também observadores e aprendizes. Não apenas para descobrirmos os truques de quem está a frente, mas para termos sempre em mente que vida cristão se calca no evangelho, que não é um truque argumentativo, uma mágica de palavras, “mas poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...” Rm1.16

Autor: David de Oliveira Lima

Foto: WarnerBros, Publicação

Bibliografia

http://www.monergismo.com

http://www.vaticanradio.org

http://www.ultimato.com.br

http://www.ultimato.com.br

http://tempora-mores.blogspot.com

http://www.layman.org

http://www2.uol.com.br/cante/

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quinta-feira, junho 07, 2007

Nenhuma folha cai sem a permissão de Deus?


Nós sempre
falamos e ouvimos as pessoas dizendo que na Bíblia está escrito: “Nenhuma folha cai sem a permissão de Deus! “ Escrevemos isso em cartas, na internet e até em livros! Mas será? Onde está? Em qual parte da Escritura você leu?
Pois é! No fim de semana, véspera de carnaval, um irmão de São Sebastião, o Iranes, me fez essa pergunta, e eu prontamente respondi: “Tem sim! Está no novo testamento!”
Procuramos nas chave bíblica e nada! Na Bíblia de estudo também. Nem na net nós achamos. Foi quando atinei, ao pesquisar, que o problema pode ter começado de uma tradução do texto em inglês! Na versão Weymouth New Testament (uma tradução com mais de 350.000 citações no google) está assim:

Matthew 10:29: Do not two sparrows sell for a halfpenny? Yet not one of them will fall to the ground without your Father's leave.

Como verbo, “leave” pode ser traduzido por “deixar Ex: leave me alone! = Me deixe em paz!

Como substantivo, “leaves” pode ser traduzido por “folhas” Ex: The leaves fall = As folhas caem!


O que pode ter acontecido é que algum leitor inexperiente tenha traduzindo o termo “leave” como substantivo plural "leaves" (uma vez que "folha", no singular, em inglês é "leaf"), sem considerar o resto do texto (talvez uma tradução rápida) e não percebeu que “leave” aqui é um verbo “...without your father’s leave” (“sem que seu pai deixe” ou “sem a permissão de seu pai”!) O mais importante saber é que isso está escrito ao final de uma afirmação que retoma um enunciado anterior!
O texto diz: “...Yet not one of them will fall to the ground without your Father's leave.” (“...Ainda nenhum deles cai sem que seu pai permita”).
Aqui nos cabe a pergunta: deles quem? Voltando ao início do verso vamos encontrar a quem se refere esse pronome “deles”: “Do not two sparrows sell for a halfpenny?” (“não são dois pardais vendidos por meio centavo?”). Fica mais clara a possível confusão de termos se consideramos esses fatores linguísticos,. Não creio também na possibilidade de que seja uma paráfrase de algum outro texto, pois a tradução manteve toda a estrutura restante do versículo (verso 30: “E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados”), o que pode ser verificado nas inúmeras citações espalhadas pela internet e outros meios de comunicação
! Podemos então concluir que o texto bíblico sempre falou unicamente dos “pardais que Deus não deixa cair sem sua permissão”, e não de supostas “folhas” (o que, porém, não deixa de ser verdade!)

Texto: David de O. Lima, instigado por Iranes Aparecido Ramos e corrigido por um comentário anônimo.

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domingo, maio 06, 2007

Homem aranha 3 - Crítica


Após séculos de ostracismo, cá estou para fazer uma crítica sitemática e SEM SPOILERS (detalhes reveladores da trama) do filme mais aguardado dos últimos anos. Como fã, não podia deixar passar, então, vamos lá!

Roteiro: 6,0. A história seria melhor se seguisse apenas um foco narrativo. Ou Homem-areia, ou Venom! Avi Arad querendo uma coisa e Sam Raimi querendo outra não deu certo! Não sou dos que acham que a inserção de Venom estragou tudo! Só acho que alguém tinha de abrir mão de suas vontades para que o filme fluísse melhor (deveriam ter posto em prática a lição que quiseram nos ensinar com Peter no 2º filme)! Sem falar que trabalhar com mais de uma linha narrativa é muito arriscado, principalmente quando se quer simplificá-las para atingir toda gama de público! Diversas linhas narrativas, para serem criativas, tendem a ser mais complexas (como em Crash, ou Magnólia) e acabam restritas a filmes adultos (como os dois dramas citados) e de abordagem mais psicológica!

Atuações: 7,0. Parte da nota é reflexo do roteiro. Afinal, roteiro confuso gera interpretações inseguras. Todavia, achei que quase todos atuaram ao nível do esperado! Destaco aqui Thomas Haden Church (Homem Areia), que, no pouco que fez, fez muito bem;, James Franco como Harry Osborn (nos primeiros 2/3 do filme, pois a 3/3 foi culpa do roteiro), Bruce Campbell (Maître d’ no restaurante, simplesmente impagável). Já os "nem todos" para mim são J.K. Simmons (o J. J. Jameson) com uma participação pífia e humor não tão refinado (culpa do roteiro, que foi culpa de...) Bryce Dallas Howard (Gwen Stacy) e Thoper Grace (Venom/Eddie Brock)! O casal não atingiu seus papéis e Grace, em especial, estava literalmente sem a "Graça" do personagem! (Mil perdões pelo trocadilho profano!)

Direção: 6,0. Raimi esteve realmente fora do trabalho. Ausente! Não creio que isto seja seja coisa dele. Algo aconteceu para tanta indisposição criativa. Ceio que a situação de bastidores refletiu sobre sua obra! Não acredito que seja cansaço. Mas Raimi é independente! Ele pensa por si só. (é claro que seu irmão co-roteiriza com ele), mas penso que, pela primeira vez, o roteiro "saiu" dessas quatro mãos para ser traçado por outras. Infelizmente teve que acontecer neste filme. Dividir opiniões é uma das tarefas mais difíceis do mundo para pessoas independentes. Principalmente se elas crêem que sua opinião é a melhor. Lições para um gênio ainda em desenvolvimento. Na próxima ele se redime!

Efeitos especiais: 8,0. Os efeitos especias mesclaram momentos de brilhantismo (como (a 1ª luta e a transformação do Homem-Areia) com cenas muito artificias (como o Homem Areia no estilo “A Múmia”). Sem falar que o Venom não estava nada aterrorizante, como o personagem é, e como os personagens pavorosos de Raimi costumam ser. A saída de John Dykstra foi decisiva neste setor. E Mais uma vez digo: para mim não foi Raimi que optou por esses aspectos “infantis” da produção, e creio que certas cenas “mal elaboradas” não foram fruto do acaso. Lembrem-se de como Raimi (leia-se “sony e produtores”) foi questionado por apresentar um Doc Oc tão opressivo e aterrorizante num “filme para crianças”

Trilha sonora: 7,0. Christopher Young não é Danny Elfman! Outra saída lamentável que refletiu em todo o filme!

Entretenimento: 7,0. O filme alterna montagens fabulosas, recheadas de intensidade e bom humor, com cenas pré-moldadas e superficiais. Como a narrativa para mim está acima de tudo (afinal não se trata apenas de beleza estética, mas de um produção sobre uma obra literária [Sim, quadrinhos também são literatura!]), o filme, não respeitando essa matriz de produção, não leva o meu 10 (e eu confesso. Pra eu me divertir, o filme tem que ser nota 9,0. É. Eu sei. Ninguém merece um perfeccionista!)

Nota final: 6,8. Quem sabe, um dia, resolvam fazer uma “versão do diretor” (com o intuito de ganhar mais dinheiro, claro!) e deixem o Sam “mexer” na história. Lembrem-se que inicialmente o filme estava sendo divulgado com 2h e 46 minutos de duração (sem falar no homem aranha 2.1). Acredito que muita coisa ainda está sendo reservada para o futuro. Mas enquanto o futuro não chega, esses são todos os dentes que posso mostrar no sorriso para a titia “sony” pelo tão aguardado “presente” que ela nos deu esse ano.

Foto de divulgação; Sony

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segunda-feira, janeiro 01, 2007

Mulheres = Portas



Para abrir 2007 e reativar esse blog que já estava mofando! rsrsrsrsr


Mulheres são como portas.
Cada homem nasce com uma chave e, no decorrer da vida, lhe compete encontrar a porta certa que corresponda à sua chave.
Alguns, tomados pela impaciência, não agüentam esperar. Forçam sua chave nas primeiras portas e, após a quebrarem na fechadura, acabam se achando no direito de ir além, arrombando a entrada. Só com o tempo, esse mensageiro das maratonas, é que vão perceber o grande erro que cometeram em possuir o que não lhes pertencia!
Outros desistem de esperar, jogam suas chaves fora e acabam decidindo viver em alguma garagem. Às vezes, quando vêem alguma porta aberta, entram sorrateiramente e passam ali algum tempo. Porém, assim como é rápida sua entrada assim também é sua saída, pois ele não tem livre acesso para ficar. Assim que alguém vai sair ele tem de se retirar.
Há ainda aqueles que, numa estranha lógica, procuram usar suas chaves para abrir... outras chaves!!!
Mas, finalmente chegamos àqueles poucos, chamados de loucos, que mantém a esperança. Que, apesar das vicissitudes e do tempo, permanecem convictos em sua crença e, tal qual missionários desbravadores, só descansarão quando destrancarem a sua porta.
E que alegria descomunal cada um não sente quando a fechadura harmoniosamente dança com sua chave! E já não lhes importa se, ao abrir a porta, encontrarem ali uma pessoa debilitada, uma criança mimada, um chuveiro que dá choque ou uma panela a explodir. Afinal, chegaram à inevitável conclusão de que, para além da porta, há um refúgio onde se abrigar, um coração onde morar.

Autor: David de Oliveira Lima

Foto by Stephanie Troeth

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domingo, outubro 01, 2006

Devolva meu coração!



Devolva meu coração


Depois de passar um bom tempo frustrado,
Decidi mudar de direção:
“Está na hora de eu voltar a amar e ser amado!”
Esta me parecia uma sábia decisão.

Fui à luta então.
Comecei com alguém que eu conhecia
E sabia que me queria.
Mas, para meu espanto, não houve clima.
Não teve paixão.

Tentei algumas outras vezes,
Mas foi tudo em vão.
Quem eu pensava que queria não era o que eu pensava,
E quem eu quis pensar que queria, no fim vi que não.

Nada mudando a situação,
Resolvi fazer algo inusitado:
Conhecer uma desconhecida e caprichar no palavreado.
Mas para ferir o meu Narciso,
Ela nem ao menos me ofereceu rejeição.

E agora? O que faço?
Não quero viver na solidão!
Foi neste momento que lembrei de um fato:
Não posso dar o que te dei e que está em tua mão.
Portanto, se não o queres mais, por favor,
Devolva meu coração!

Autor: David de Oliveira Lima

A arte usada é de J.C.Wong e tem o título "Luv Wanted"

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domingo, agosto 27, 2006

O pouco de você


O POUCO DE VOCÊ

Pouco lembro do que vi em seu rosto,
Mas é o suficiente para que eu queira vê-lo novamente.
Pouco lembro do que ouvi de sua voz,
Porém, é o bastante para que eu deseje ouvir ao menos um sussurro seu.
Pouco lembro do me falou em seus olhos,
Contudo, me basta para que os meus fiquem inundados de um brilho intenso.
Pouco lembro do que senti em seu sorriso,
Todavia, me alegro só em pensar que em breve poderemos, juntos, estarmos felizes.
Pouco me lembro de tudo que me passou ao tocar em suas mãos,
Entretanto, já estou plenamente convencido de que preciso tocá-las mais de uma vez.
Pouco é o que me lembro de você,
Mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
apenas o que ainda está em minha mente
é suficiente para tomar totalmente meu intelecto
e, por completo, meu coração!

Autor: David de Oliveira Lima

A arte usada é do fotógrafo português Carlos A. A. Pereira e tem o título de "Between Darkness & Wonder"

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terça-feira, julho 25, 2006

Credo dos Hipócritas



Credo dos Hipócritas

Somos contra a vingança
Até o momento em que formos traídos.
Somos contra a violência
Até o momento em que formos agredidos
Somos contra a mentira
Até o momento em que nos utilizamos dela para nos proteger.
Somos contra a injustiça
Até o momento em que ela nos favoreça.
Somos contra a cobiça e a inveja
Até o momento em que alguém tenha mais do que nós.
Somos contra o orgulho
Até o momento em que somos louvados.
Somos contra a pornografia e o adultério
Até o momento em que nos vemos carentes e solitários.
Somos contra o consumismo.
Até o momento em que encontramos algo que queremos ter, custe o que custar.
Somos contra os excessos
Até o momento que tudo esteja em abundancia à nossa disposição.
Somos contra a inadimplência
Até o momento em que nos vemos atolados em dívidas.
Somos contra a indiferença
Até o memento em que o seu problema deixa de ser o nosso problema.
Somos contra a idolatria
Até o momento em que nossa vida passa a ser o centro de nossa realidade.
Somos contra o ateísmo
Até o momento em que Deus não atende a nossos caprichos.
Somos hipócritas
Até o momento em que Cristo vem e tira as nossas máscaras.

Autor: David de Oliveira Lima

A arte usada se chama "Forgiven", do pintor thomas Blackshear II

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segunda-feira, junho 05, 2006

Por que os pássaros voam


Depois de Um bom tempo, resolvi escrever! Resultado de minha primeira (e longa) reunião de conselho de classe! Bom pra mim e pra você! espero que gostem!




“Chega! Tenho que sair daqui e tem que ser agora!”

A reunião já estava cansativa após quatro horas corridas. Sem falar que minha parte na avaliação ainda levaria um bom tempo para chegar. Eu tinha que sair! Esticar as pernas! Me aquecer um pouco ao sol tímido daquela manhã congelante!

Do lado de fora, ao olhar por entre os ramos de uma árvore, abaixo da grade de proteção do 2º piso do prédio, observei um pequeno pássaro empoleirado. Era como se as folhagens fizessem uma moldura para a cena onde só cabia o pássaro e onde ele era o centro da imagem. Parecia proposital. De repente, ele içou vôo. Eu só o vi sair do outro lado da árvore e subir ao céu. Ah! Como eu queria fazer isso! Içar vôo naquele céu azul. Chegar mais perto do sol e me aquecer um pouco mais. È incrível pensar que seres tão pequenos sejam capazes de tal façanha! E com tanta graça! Como podem? Eles levam uma vida tão simples, se acomodam em qualquer lugar. Usam qualquer coisa para construir aquilo que chamamos de lar. E, apesar disso, dessa vidinha rotineira e nada sofisticada, cantam o dia inteiro. E que paz transmitem quando o fazem! É revigorante ouvir! Não gastam seu tempo brigando entre si, numa vida apressada, estressante. Não dão parte de ninguém. Apenas obedecem às leis naturais, respeitando, cada um, os seus limites.

Talvez seja essa a causa de sua leveza, o motivo de subirem tão rápido. Afinal, só estão fazendo elevar seus corpos ao local onde já se encontram seus espíritos.

Talvez seja por isso que pássaros voam e nós não!


Autor: Davi de Oliveira Lima

A imagem é de autoria desconhecida. Achei no serviço de buscas do google, em uma página da cidade de Salford, Reino Unido!

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quinta-feira, maio 04, 2006

Miss Dashwood


Olá! Sou eu de novo.
Agora um pouco mais velho,
Para dizer que por aqui nada mudou.
Mas, e com você? Tudo bem?
Notícias suas a gente não tem.
Aos nossos telefonemas você não retornou.

Desde que se embriagou
Em sua sensibilidade
Sua casa está tomada
Por uma nova entidade.

Não entendo essa razão
Que vai no seu sentimento,
Mas o seu argumento
Só leva a uma conclusão!

Você não está mais em ação!
Não acredito que o herói virou vilão!
Esta parte da história meu pai não contou.

O fato se repete com quase o mesmo personagem.
Mais um raio caiu naquela velha paisagem.
O círculo vicioso recomeçou.

Só não entendo o porquê
Logo com você
Que tanto lutou
Contra aquilo no que se tornou!

Não pense que pensamos
Que você não está sofrendo.
Mas tudo que podíamos
Nós já estamos fazendo.

De longe assistimos estéreis à sua dor.
De tanto chorar o choro quase secou.
Mas nos agarramos à esperança de Brandon e Elinor:
“Após tanta chuva e febre, ela voltou!”

Autor: David de Oliveira Lima

Imagem do filme "Razão e Sensibilidade", adaptado do livro homônimo de Jeane Austen.

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terça-feira, maio 02, 2006

Ave Christus


Este poema foi feita 6 anos atrás e era minha frase tema no instituto bíblico. Estava sempre nos meus cartões para os pregadores do dia! Sua mensagem implicita é uma só: Jesus Cristo! O interessante é que ele não possui conectivos como artigos, pronomes ou preposiçoes! São cinco palavras em inglês começadas pela letra "G", sendo elas dois adjetivos, dois substantivos e um verbo, que traduzidos dizem: "Bom Deus Deu Grande Graça". O ponto focal foi o "T" de "Great" que me deu a idéia da cruz. Pintada de vermelho deu o grande toque simbólico que resume e expressa toda a idéia do poema: Jesus!

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quarta-feira, março 15, 2006

TXT - Meus Textos

05/06/2006


Depois de Um bom tempo, resolvi escrever! Resultado de minha primeira (e longa) reunião de conselho de classe! Bom pra mim e pra você! espero que gostem!


POR QUE OS PÁSSAROS VOAM


“Chega! Tenho que sair daqui e tem que ser agora!”

A reunião já estava cansativa após quatro horas corridas. Sem falar que minha parte na avaliação ainda levaria um bom tempo para chegar. Eu tinha que sair! Esticar as pernas! Me aquecer um pouco ao sol tímido daquela manhã congelante!

Do lado de fora, ao olhar por entre os ramos de uma árvore, abaixo da grade de proteção do 2º piso do prédio, observei um pequeno pássaro empoleirado. Era como se as folhagens fizessem uma moldura para a cena onde só cabia o pássaro e onde ele era o centro da imagem. Parecia proposital. De repente, ele içou vôo. Eu só o vi sair do outro lado da árvore e subir ao céu. Ah! Como eu queria fazer isso! Içar vôo naquele céu azul. Chegar mais perto do sol e me aquecer um pouco mais. È incrível pensar que seres tão pequenos sejam capazes de tal façanha! E com tanta graça! Como podem? Eles levam uma vida tão simples, se acomodam em qualquer lugar. Usam qualquer coisa para construir aquilo que chamamos de lar. E, apesar disso, dessa vidinha rotineira e nada sofisticada, cantam o dia inteiro. E que paz transmitem quando o fazem! É revigorante ouvir! Não gastam seu tempo brigando entre si, numa vida apressada, estressante. Não dão parte de ninguém. Apenas obedecem às leis naturais, respeitando, cada um, os seus limites.

Talvez seja essa a causa de sua leveza, o motivo de subirem tão rápido. Afinal, só estão fazendo elevar seus corpos ao local onde já se encontram seus espíritos.

Talvez seja por isso que pássaros voam e nós não!


Autor: Davi de Oliveira Lima

A imagem é de autoria desconhecida. Achei no serviço de buscas do google, em uma página da cidade de Salford, Reino Unido!

04/05/2006



Fiz esta poesia, pensando em amigas minhas que sofrem, sofreram ou sofrerão por darem mais atenção ao coração do que à razão! Como está evidente, minha inspiração foi a história das irmãs Dashwood, em especial da jovem Marianne, no livro, "Razão e Sensibilidade", de Jeane Austen.

MISS DASHWOOD



Olá! Sou eu de novo.
Agora um pouco mais velho,
Para dizer que por aqui nada mudou.
Mas, e com você? Tudo bem?
Notícias suas a gente não tem.
Aos nossos telefonemas você não retornou.

Desde que se embriagou
Em sua sensibilidade
Sua casa está tomada
Por uma nova entidade.

Não entendo essa razão
Que vai no seu sentimento,
Mas o seu argumento
Só leva a uma conclusão!

Você não está mais em ação!
Não acredito que o herói virou vilão!
Esta parte da história meu pai não contou.

O fato se repete com quase o mesmo personagem.
Mais um raio caiu naquela velha paisagem.
O círculo vicioso recomeçou.

Só não entendo o porquê
Logo com você
Que tanto lutou
Contra aquilo no que se tornou!

Não pense que pensamos
Que você não está sofrendo.
Mas tudo que podíamos
Nós já estamos fazendo.

De longe assistimos estéreis à sua dor.
De tanto chorar o choro quase secou.
Mas nos agarramos à esperança de Brandon e Elinor:
“Após tanta chuva e febre, ela voltou!”

Autor: David de Oliveira Lima

Imagem do filme "Razão e Sensibilidade", adaptado do livro homônimo de Jeane Austen.



Este texto foi redigido primeiramente redigido por minha irmã para encorajar uma amiga. Posteriormente fizemos algumas alterações e acrecentamos algumas partes de minha autoria em homenagem aos nossos atletas olímpicos e a todos aqueles que lutam na carreira da vida.


A HORA É AGORA!



"Sabe o que eu vejo?
Uma medalha em minha frente?
Não!
Possibilidades.
Eu vejo todas elas.
Eu vejo um exército inteiro de possibilidades prontas e equipadas para lutar pela sua concretude.
Nós somos pessoas habilitadas e habilidosas. Há um brilho que reside em nós e não é só pelo conhecimento, mas pela capacidade de fazer tudo o que quisermos.
Mas o que queremos? Vamos realizar sonhos?
Tentemos viver sem eles.
E morrer sem eles.
Veremos que mesmo sem tê-los, continuaremos a existir.
Mas quando o crepúsculo da vida chegar, quando o fio de prata estiver para se romper, tenhamos a hombridade de não olhar para trás com remorso, ou lágrimas nos olhos, por não termos vivido os sonhos, a vida, que deixamos para trás .
Talvez, chegue o dia em que os anos mostrarão nossa insanidade de querer conquistar o mundo, e mesmo conquistando parte dele já será para nós uma insanidade, mas hoje não é este dia.
Talvez chegue o dia em que desistiremos de um sonho, ideal, meta, mas hoje não é este dia.
Hoje é o dia da loucura e a ousadia serem perfeitamente normais e aceitáveis.
Hoje faremos diferença, amanhã sentaremos nas cadeiras da varanda, de meias nos pés, e racionalizaremos nossa vida, mas nunca nos arrependeremos de viver.
Pelas coisas que nos são caras, eu lhe conclamo a resistir à descrença. Lute por sua alma!"

Autores: Débora de Oliveira Lima (pós-graduada em Administração pelas FIU)
David de Oliveira Lima(Aluno do 4° ano de Letras)


Imagem da cena final do filme "Coração Valente"

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domingo, março 12, 2006

Evangelinus


Oi pessoal! Este é o desenho-título da página. Ele foi feito durante meu tempo no IBEL-Instituto Bíblico Eduardo Lane (99/01). Creio que todos já conhecem o personagem. Se trata do Linus Van Pelt, amigo do Charlie Brown. Escolhi ele para representar os Ibelinos por alguns motivos. Primeiro porque, quando criança, costumava arrastar uma manta vermelha pra todo canto que eu ia. Talvez seja por isso que minha irmã me
chama de "Lino" até hoje. Eu me identifiquei com ele e creio que, de certa forma, me representa. Quanto estudava no Instituto resolvi desenhá-lo com um terno pregando no púlpito do IBEL (o pulpito e o microfone foram desenhados por Daniel Jóse Paulino). A figura tinha ganhado um novo significado. Agora me representava como alguém que queria amadurecer mas que continuava (como quase todo Ibelino) com certas coisas de menino (a pose acompanhada de manta ficou perfeita pra isso).Hoje creio que ele possa representar uma gama maior de pessoas: todo e qualquer cristão. Devemos sempre procurar crescer pois é ordem do Senhor "Crescei na graça e no conhecimento", porém não devemos nos equecer que nunca seremos maduros o suficiente. Sempre deveremos buscar "a estaura de Cristo" sendo sempre simples e dependentes de Deus Como crianças dependem de seus pais.




A versão colorida foi feita por mim recentemente no Photoshop CS2.

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