quinta-feira, agosto 16, 2007

Pobre cachorro!


Hoje pela manhã estava muito frio! Enquanto descia para a escola, uma mão ia no bolso e a outra inevitavelmente segurava a pasta onde carrego as cadernetas de minhas salas. Quase congelados, meus dedos não desprenderiam dela pra nada... mesmo que eu quisesse! Foi quando percebi que um cachorro me acompanhava. Ele estava com uma sacola presa ao pescoço. Talvez tenha entrado nesta situação a fuçar algum saco de lixo. A cena era engraçada. Com as patas da frente ele tentava tirá-la, mas, consequentemente, com isso, puxava a cabeça para baixo fazendo um movimento igual ao de uma gangorra. Eu ri, achei divertido, mas ignorei. Porém, como meu cérebro ultimamente não para de pensar, nem mesmo quando quero, atinei que aquilo poderia estar fazendo-o sofrer. Parei minha caminhada e me voltei para o animal. Confesso que estava receoso ao fazê-lo. “Será que ele vai ficar parado? Será que vai me morder?” eram questões inevitáveis. Mas fui em frente e, tirando do bolso a minha mão acovardada pelo frio, levei-a até a cabeça dele. Para minha surpresa, o cachorro calmamente se sentou e paciente esperou eu remover a sacola. Ao tirá-la, ele já estava correndo de novo, seguindo o rumo de casa.

Isso me fez pensar no fato de que, muitas vezes, nas nossas idas e vindas diárias, vemos pessoas presas como aquele cachorro. Gente que, em busca de algo que alimentasse seu vazio, fuçou o lixo e ficou presa a ele. A gente vê, acha engraçado seu comportamento anormal, mas ignora. Quando não ignora, sente dó, mas fica sem coragem de intervir, de ajudar. No medo de sermos atacados, ou não sermos entendidos, deixamos de lado o problema. Problema que vai continuar lá, até o momento em que tenhamos coragem de parar de racionalizar nossas desculpas e aceitar que não é sem propósito que tais pessoas parecem insistentemente seguir nossos passos.

Estenda a mão. Arrisque-se. Ajudar pode ser mais simples do que pensamos. Talvez precisemos apenas tirar nossas vidas de suas zonas de conforto; o que já será um grande passo! E quer saber? Mesmo que, após a ajuda, lhe virarem as costas “abanando o rabinho” sem, porém, lhe agradecer, vale a pena! Pois o que está em jogo, no fundo, não é apenas melhorar uma vida, mas ser uma vida melhor a cada atitude!


Autor: David de Oliveira Lima


O título da arte usada é A "Dog's Life" de
Dave de Haan

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3 Comments:

At 3:16 PM, Blogger Hudson said...

A forma mais inequivoca de cristianismo: Amor e serviço! Prabéns David,abençoado o que vc esreveu!

 
At 12:55 PM, Anonymous Anônimo said...

oi

 
At 2:31 PM, Blogger Ana Cristina said...

Muitas vezes andamos tão ansioso com nossa própria vida, que realmente esquecemos, de olhar para o lado e ver ou perceber a dor do outro, e só vemos a nós mesmos. Quando um pequeno gesto faz uma diferença enorme.
Que Deus Abençõe.
Bjs.

 

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